Basta de feminicídio! Elas tinham nomes e histórias e o brasil segue permitindo que o patriarcado as mate.

Elas não são estatísticas. São vidas interrompidas por um sistema que insiste em dizer que somos exageradas, que é “mimimi”, que “não é tudo isso”. Mas é tudo isso e pior.
Vivemos um país onde o machismo estrutural continua governando corpos, onde o patriarcado insiste em decidir sobre nossa existência, e onde a misoginia vem sendo tratada como se fosse “opinião”, “debate”, “liberdade de expressão”.
Enquanto isso, cresce um ecossistema inteiro dedicado ao ódio às mulheres: a machosfera, os redpills, os “coaches de masculinidade”, os influenciadores que ensinam a desumanizar, que transformam o desprezo em conteúdo, o controle em método e a violência em identidade masculina. A consequência está diante dos nossos olhos: mais agressões, mais ameaças, mais feminicídios.
Em 2024, o Brasil enterrou 1.450 mulheres assassinadas por serem mulheres. Em 2025, Santa Catarina, este estado que se orgulha da paz, soma 47 feminicídios e mais de 54 mil mulheres violentadas. Não são números: são vidas atravessadas pelo ódio organizado, pelo descaso institucional, por homens que se sentem autorizados a matar.
Essas mulheres tinham nomes.E é preciso dizê-los: Catarina. Alaide. Andreia. Rosimary. Tatiane. Sandra. E muitas outras
Elas tinham histórias e o patriarcado as destruiu.
Catarina Kasten, 31 anos — professora, estudante, filha, amiga. Saiu para uma manhã comum e nunca voltou. Foi estuprada e assassinada na trilha do Matadeiro, em Florianópolis.
A brutalidade do crime mostra que o feminicida nunca age sozinho: ele age com a força de uma cultura que o apoia, que o protege, que o ensina a não reconhecer humanidade em mulheres.
Alaide Cristina, 35 anos, morta a facadas pelo ex-companheiro na porta da padaria onde trabalhava. Uma vida interrompida em plena luz do dia, num país que insiste em dizer que “ela devia ter denunciado antes”.
Andreia Sotoriva, 38 anos assassinada dentro de uma loja pelo ex.Trabalhava, vivia, lutava e a violência a encontrou mesmo assim.
Rosimary Martins, Tatiane Kurth Cipriani e Sandra Raquel Nolli foram mortas em menos de uma semana. Três cidades diferentes. Três histórias quebradas. O mesmo sistema por trás.
E como esquecer a mulher que, em São Paulo, foi atropelada e arrastada por mais de 1 km na Marginal Tietê pelo ex-companheiro?
Esse crime não nasceu sozinho: nasceu da cultura que ensina homens a acreditarem que mulheres são propriedade, castigo ou descarte.
Nada disso é isolado. É o resultado direto de uma sociedade que alimenta o machismo todos os dias, que permite que a misoginia vire entretenimento, que assiste passivamente ao crescimento da machosfera sem perceber que ela está matando mulheres de verdade.
Nós, do SINDPD/SC, denunciamos: a violência contra as mulheres não é individual é política. Nós sabemos o nome do inimigo. E ele não é “ciúme”, não é “briga de casal”, não é “perda de controle”. É patriarcado. É machismo organizado. É misoginia reproduzida como cultura. É o ódio às mulheres vendido como masculinidade.
Por isso, o SINDPD/SC exige:
Ação imediata do Estado.
Políticas públicas reais.
Proteção efetiva às mulheres.
Punições mais severas a agressores e feminicidas.
Não aceitamos delegacias especializadas que não funcionam, redes de acolhimento sucateadas, campanhas vazias e um governo que finge não ver o avanço da violência digital, dos discursos redpill e do ódio contra mulheres que se espalha como epidemia.
E reafirmamos: nenhuma trabalhadora de TI caminhará sozinha. Se houver violência, ameaça, assédio, perseguição o SINDPD/SC estará presente: no apoio jurídico, no acolhimento, na denúncia, na luta coletiva para que nenhuma mulher pague o preço de existir.
Temos lado. E nosso lado é o das mulheres, da vida, da justiça, da liberdade real não da “liberdade” que alguns usam para justificar violência e ódio.
Por Catarina, por Alaide, por Andreia, por Rosimary, por Tatiane, por Sandra.
Por todas as que se foram. Por todas as que resistem. Por todas as que ainda têm medo. Nem uma a menos. Nem uma silenciada. Nem uma sacrificada ao altar do patriarcado.







